Voltar a terapia é sinonimo de desistir mais uma vez de tudo mas jamais desistir de mim. Ela me olha como quem sabe o que eu não vou falar e depois de quase dois anos ela diz que ainda se lembra de tudo. Ás vezes eu tenho vontade de deitar naquele sofá fofinho e cheiroso e chorar até secar mas o máximo que consigo é borrar meu rímel enquanto ela se mantem firme. Eu falo da minha mãe, eu falo de você eu falo até do meu cachorro que está ficando velho e eu quero que ele viva para sempre. Tudo é relevante, eu sei. Ela faz perguntas que eu ainda não tenho respostas, ela fala coisas que eu sempre soube mas precisava ter certeza. Eu queria um sessão de um dia inteiro só para ela saber o quanto eu sou complicada, maluca e romântica demais. Tenho vontade de pedir um remédio de tarja preta para que tudo isso desapareça, mas ela não é médica.
Uma vez, ela perguntou mais irônica do que eu normalmente perguntaria: É só amizade mesmo hein dona Camila? E eu me senti a completa adolescente. Eu estava ali para crescer e não para voltar ao útero. Voltei para casa pensando naquela pergunta, tão simples que qualquer amiga faria. Não, ela não é minha amiga. E não, não era só amizade. Na segunda vez ela já tinha certeza.
Eu voltei para a terapia, voltei a escrever e tirei forças para nunca mais voltar a ser o que eu era quando estava ao lado de alguém que nunca soube, na verdade, quem eu nunca deixei de ser.
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