quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Por hoje

Sou obsessiva. Completamente. De certa forma, creio que essa característica tenha me ajudado a ser quem sou, mas ela é burra no que se refere ao amor. Eu quero que o outro - qualquer um, qualquer um mesmo, quando esse um está disfarçado em nomes próprios - tenha a noção de como seria incrível viver aquele um-pouco-mais comigo.
Fernanda Young

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Cazuza, sempre Cazuza.

Você me quer? 
Você cuida de mim? 
Mesmo que eu seja uma pessoa egoísta e ruim? 
Você me aceita 
E me dá a receita 
De como conviver com um monstro mesquinho e careta? 
Você me respeita 
Não grita comigo 
Mesmo que eu tente tudo pra te irritar 
Você tem que entender 
Que eu sou filho único 
Que os filhos únicos são seres infelizes 
Eu tento mudar 
Eu tento provar que me importo com os outros 
Mas é tudo mentira (tudo mentira) 
Estou na mais completa solidão 
Do ser que é amado e não ama 
Me ajude a conhecer a verdade 
A respeitar meus irmãos 
E a amar quem me ama 

Cazuza

sexta-feira, 15 de maio de 2015

O tempo, os números e meus pais


Pela primeira vez eu penso no tempo e tenho a sensação de que ainda tenho 23 anos. Não sei por que 23 e não sei por que a ideia de que estou envelhecendo me surgiu apenas agora.

Vejo meus pais e começo a pensar nas lembranças de quando eles decidiam tudo por mim. Lembro do apartamento que morei por 15 anos e que guarda as lembranças mais sensoriais de praticamente uma vida inteira.

 Só agora me dei conta do quanto tudo isso me comove.Não consigo ver fotos antigas, as poucas que tenho de quando era criança e estava brincando sempre sozinha com minhas bonecas.

Vejo meus pais e começo a perceber que estão velhos,carinhosos e compreensivos com a minha vida, tudo que sempre quis mas que agora, de  uma certa forma, é tarde demais. Daqui a pouco farei 31 anos e vejo que a maturidade ainda está longe. Não me sinto preparada para quase nada nessa vida. 

Quando me casei não sabia nem ligar a maquina de lavar roupas, ninguém nunca me explicou  e eu nunca precisei perguntar.Não me sinto uma pessoa ruim por isso, mas todo mundo acha que eu deveria saber. Hoje aprendi por necessidade e sei que mesmo vendo toda minha dificuldade meus pais não se arrependeram. Já ouvi muito que eles erraram querendo acertar e que sou fruto do excesso de amor e acho tudo isso lindo. Hoje, com 23, ou quase 31 eu consigo perceber tudo. Não é maturidade, é a convivência.

Acho um saco essa coisa de que família tem que se amar só porque é uma família, essas regras impostas por sei lá quem sempre me incomodaram. Eu amo meus pais de maneiras bem diferentes, não amo meus irmãos porque nunca tive nenhum e por isso quero ter uma família enorme. Quero começar logo para que meus pais vejam que mesmo errando tanto vou repetir tantas coisas...Porque para mim a única coisa que pode justificar os erros é o amor. 



sexta-feira, 8 de agosto de 2014

O que não pode ser dito

Escrever é, sem dúvida, uma válvula de escape. Escrever é literalmente libertador. Confesso que parei de escrever por um bom tempo porque minhas palavras sempre foram destorcidas e incomodavam pelas verdades escondidas.

Hoje sem motivo algum e com toda a ironia que permanece em mim eu resolvi escrever.

Continuo a observar. As pessoas mudam , progridem, regridem e te cobram. Cobram um equilíbrio que nem elas mesmas tem! Vamos lá...

Odeio gente submissa a vida. Aquela pessoa que não sente nada profundamente. Não grita, não entope o nariz de raiva. Não entendo. Gente que precisa muito afirmar que é feliz demais, para mim, não serve, não presta, não quer dizer simplesmente nada.

Por que estou escrevendo isso? Porque não posso falar. As pessoas não gostam de ouvir o que elas merecem, mas ainda bem que o tempo se encarrega de derrubar tudo o que não é sólido o suficiente. Sentimentos de fachada, sorrisos forçados...Pois é, eu sempre soube, eu sempre disse...Mas as pessoas não gostam de ouvir o que elas merecem.

A minha felicidade é poder escolher quem eu quero perto de mim, felicidade não é conta bancária, não é querer ter e esquecer de ser. E hoje todos enxergam o que eu sempre vi...

Eu? Eu sou de verdade e não escondo o tamanho de tudo isso. Embaixo daquele tapete tem muita sujeira mas quando as pessoas entram tudo está sempre limpo e cheiroso.

E a vida segue nos mostrando quem realmente vale a pena sentar no nosso sofá.






quarta-feira, 15 de agosto de 2012



Amarello Amor - Carolina Ferraz

“O que existe além do que já foi dito sobre o amor?
Toda minha vida pautada em amores que tive ou gostaria de ter.
Falando sobre os que tive, também não tenho muito a dizer.
Amei e fui muito bem amada.
Mas foi um amor, um único amor que veio cruzou minha vida, tocou a minha alma e ficou marcado em minha pele.

Todos nos carregamos conosco uma história.
Aquela que só nos atrevemos a lembrar, quando durante a noite no escuro, encostamos nossas cabeças no travesseiro e o silêncio cala fundo.

Não importam os anos, certas coisas simplesmente permanecem.
Mas então, numa quinta-feira a tarde de um ano qualquer, tropeçamos nesse amor já supostamente esquecido.
Percebemos que amor igual não há e aquela pessoa continua e continuará a ser nossa referencia afetiva mais sincera e profunda.

Não é doença nem obsessão. Alias não é nada, só amor. Amor dos bons, daqueles que são únicos e maravilhosos, que acontecem poucas vezes na vida das pessoas. Daqueles amores que ficam e que teremos que conviver com ele como algo concreto e parte de nossas vidas.
Que alma consegue atravessar a vida sem ter conhecido o amor? E quem sabe ter a sorte de ser correspondido?
Que vida vale a pena sem amor?
Nenhum sentimento é mais lindo profundo e transformador que o amor.
Só o amor transcende e purifica, enlouquece, cura, invade, permanece, liberta e aprisiona.
Quando acontece é um som grave que penetra invade e permanece.
Não compliquem e nem elaborem o sentimento mais incrível e poderoso de todos.
Permitam que ele chegue e se instale.
Pois, o resto são bobagens meninos, bobagens.”

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Enfrentar helicópteros, vulcões, corredeiras e tobogãs exige apenas que tenhamos um bom relacionamento com a adrenalina. Coragem, mesmo, é preciso para viajar sozinha, terminar um casamento, trocar de profissão, abandonar um país que não atende nossos anseios, dizer não para propostas lucrativas porém vampirescas, optar por um caminho diferente, confiar mais na intuição do que em estatísticas, arriscar-se a decepções para conhecer o que existe do outro lado da vida convencional. E principalmente, coragem para enfrentar a própria solidão e descobrir o quanto ela fortalece o ser humano.

Martha Medeiros

quinta-feira, 7 de junho de 2012

TPM

Ela chegou mais forte do que nunca. Acordo inchada, sem fome e com um aperto no peito que não sei de onde vem. Sofro sem ter por que sofrer. As pessoas me irritam fazendo o que elas sempre fazem. E chove muito lá fora e aqui dentro também. Sei que ela chegou e daqui a pouco todo mundo vai saber também. Eu juro que tento me controlar mas meu nariz coça tanto que eu só queria arrancá-lo até tudo isso passar. Vou sorrir sem vontade, serei simpática na hora errada e vou sentir fome mas não saberei o que comer. Assumir a fraqueza é ser generoso com o outro. Admitir que mulher sofre por tudo e homem não sofre por nada é ver a realidade. Sou tão mulher que não consigo nem conviver muito com outras mulheres, elas me irritam e eu me vejo nelas, por isso me afasto. São 28 anos me aguentando, 5 de terapia, 1 de academia e alguns minutos de surto. Hoje já vou logo avisando...Se me ama, seja paciente, se me odeia vai me odiar mais ainda. Se eu te amo eu te amo mesmo, se eu te odeio você logo vai saber. Um dia, minha terapeuta me sugeriu desenhar para eu colocar para fora esses hormonios extras. Eu perguntei se eu poderia pintar ao invés de desenhar e ela deu um sorriso tão irônico que me irritou mais ainda. O bom de tudo isso é que o meu outro lado é exatamente o oposto de tudo o que sinto agora. Tenho tanto amor no coração que amo até quem não merece. Tenho tanta piedade do mundo lá fora que quero ser a melhor pessoa para todo mundo. Nos outros dias eu amo os animais, as crianças, as plantinhas e os dias de chuva. Hoje não, mas só hoje.