sexta-feira, 15 de maio de 2015

O tempo, os números e meus pais


Pela primeira vez eu penso no tempo e tenho a sensação de que ainda tenho 23 anos. Não sei por que 23 e não sei por que a ideia de que estou envelhecendo me surgiu apenas agora.

Vejo meus pais e começo a pensar nas lembranças de quando eles decidiam tudo por mim. Lembro do apartamento que morei por 15 anos e que guarda as lembranças mais sensoriais de praticamente uma vida inteira.

 Só agora me dei conta do quanto tudo isso me comove.Não consigo ver fotos antigas, as poucas que tenho de quando era criança e estava brincando sempre sozinha com minhas bonecas.

Vejo meus pais e começo a perceber que estão velhos,carinhosos e compreensivos com a minha vida, tudo que sempre quis mas que agora, de  uma certa forma, é tarde demais. Daqui a pouco farei 31 anos e vejo que a maturidade ainda está longe. Não me sinto preparada para quase nada nessa vida. 

Quando me casei não sabia nem ligar a maquina de lavar roupas, ninguém nunca me explicou  e eu nunca precisei perguntar.Não me sinto uma pessoa ruim por isso, mas todo mundo acha que eu deveria saber. Hoje aprendi por necessidade e sei que mesmo vendo toda minha dificuldade meus pais não se arrependeram. Já ouvi muito que eles erraram querendo acertar e que sou fruto do excesso de amor e acho tudo isso lindo. Hoje, com 23, ou quase 31 eu consigo perceber tudo. Não é maturidade, é a convivência.

Acho um saco essa coisa de que família tem que se amar só porque é uma família, essas regras impostas por sei lá quem sempre me incomodaram. Eu amo meus pais de maneiras bem diferentes, não amo meus irmãos porque nunca tive nenhum e por isso quero ter uma família enorme. Quero começar logo para que meus pais vejam que mesmo errando tanto vou repetir tantas coisas...Porque para mim a única coisa que pode justificar os erros é o amor. 



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